Brasil sem Lula é fraude
Aconteceu o que Lula e todo mundo sabia que ia acontecer, mas preferia imaginar que não aconteceria.
Ele está preso.
Mas descobrimos agora que o problema não são apenas as eleições, vai muito além.
Os irresponsáveis do Poder Judiciário que o condenaram num processo kafkiano jogaram o país num ponto de não retorno que não leva a um horizonte com arco-iris nem a um jardim de rosas, mas rumo ao desconhecido.
Já estamos vendo o preâmbulo dos confrontos que se anunciam para tomar as ruas, o que é a pior coisa que pode acontecer num ano eleitoral, já de per si um período de turbulência, dessa vez inaugurado com o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, cujo corpo continua estendido no chão, enchendo-nos de indignação e de vergonha.
Tirando-se Lula do campo de jogo, a turbulência política só tende a crescer, porque a esquerda, liderada pelo PT vai reunir todos os esforços com o objetivo de tirar Lula da cadeia e a direita, liderada por MBL e Vem Pra Rua vai atuar em sentido contrário. Se eles decidirem resolver a questão nas ruas, é fácil adivinhar que a Polícia Militar irá intervir com força desproporcional e daí em diante só o tempo vai mostrar as nefastas consequências.
Lula estava não apenas impedindo o avanço da extrema-direita – único a ter mais intenções de votos que seu representante – mas também apaziguando de alguma forma a extrema-esquerda.
O risco de esses grupos partirem para o tudo ou nada agora que Lula está enfeitando a sala de troféus do juiz Sérgio Moro não é pequeno.
Importa, portanto, Lula recuperar a liberdade o quanto antes, não só para o bem dele, do PT ou das eleições, mas da democracia e do país.
No entanto, as perspectivas não são alvissareiras.
É paradoxal, mas verdadeiro, que os sinceros movimentos dos apoiadores de Lula, que defendem uma causa totalmente justa – pois a sua prisão é claramente injusta – poderão atrapalhar o trabalho de seus advogados junto ao STF pois, à medida em que os militantes vão pressionar os juízes, eles não vão se sentir à vontade para votar os pleitos de interesse do ex-presidente, mesmo porque deverão ser pressionados igualmente pelas forças antipetistas.
Nesse cenário de pressões e contrapressões o mais previsível é que os ministros decidam não decidir nada em 2018 e Lula continue na sala de troféus da República de Curitiba.
É evidente que esse cenário pode mudar se houver uma forte campanha nacional e internacional a favor da liberdade de Lula, não uma campanha só do PT, não uma campanha só da esquerda, mas uma campanha da sociedade democrática brasileira e dos maiores representantes das democracias internacionais, algo tão impactante como foram as Diretas Já.
É desejável, sobretudo, que tais campanhas sejam absolutamente pacíficas, sem quebra-quebra, sem bloqueio de estradas, sem provocações, sem truculência, para que não deem ensejo a situações propícias a banhos de sangue e a respostas truculentas de quem tem detém o poder militar.
O slogan "eleição sem Lula é fraude" ficou superado e pequeno demais.
Daqui pra frente deveria ser adotado outro, até o ex-presidente recuperar a liberdade: Brasil sem Lula é fraude.
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