Hong Kong também pede explicações ao Brasil sobre fraudes nas exportações de aves

União Europeia acionou o Ministério da Agricultura após deflagração da nova fase da operação Carne Fraca


BRASÍLIA - Os exportadores brasileiros de aves já começam a sentir as consequências da terceira fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal — batizada de Trapaça. Desde a última segunda-feira, quando foi revelado um esquema de fraude na concessão de laudos por laboratórios particulares a frigoríficos, dois mercados importantes para o Brasil exigiram explicações do governo: União Europeia (UE) e Hong Kong. Ambos importaram, no ano passado, US$ 1,168 bilhão em carnes de frango e peru congeladas e in natura.

Responsável por US$ 775 bilhões das importações de aves no ano passado, a UE é um dos 12 mercados que exigem atestados de que as carnes de aves não têm a bactéria salmonela. Com a operação da PF, o Ministério da Agricultura suspendeu as vendas para esses países realizadas pelos frigoríficos investigados na operação. Já Hong Kong, que importou US$ 393 milhões do Brasil em 2017, não está na relação de 12 mercados, mas achou por bem pedir esclarecimentos.

‘É injusto’, diz secretário
Em nota no site do Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong, o órgão afirma que está investigando se os produto afetado foi importado por Hong Kong. O órgão diz que vai monitorar o caso e pode tomar ações apropriadas se for necessário.
Ao contrário das primeira etapa da operação, que envolvia servidores federais e foi revelada em março de 2017, a Operação Trapaça não foi uma surpresa para o governo. Por isso, o Ministério da Agricultura decidiu se antecipar e tentar blindar as exportações brasileiras. Logo que a PF divulgou as ações, na segunda-feira, a Agricultura encaminhou uma carta em versões em português, inglês e espanhol, para esclarecer que o sistema sanitário brasileiro não foi afetado pela conduta dos laboratórios e garantir que não há risco à saúde da população, uma vez que o micro-organismo morre no cozimento do produto.

— O que entregamos foi o suficiente para responder o que os europeus pediram — disse o secretário de Defesa Agropecuária, Luís Eduardo Rangel, que considera injustas as exigências dos 12 mercados importadores. — É injusto. Do ponto de vista técnico, não se justifica estabelecer esse índice de salmonela zero para exportação de carne de frango.
Para Rangel, o impacto da última operação deve ser menor que o da primeira fase da Carne Fraca, quando quase 20 mercados se fecharam para a carne bovina brasileira. Na época, as vendas caíram num primeiro momento, mas aumentaram no fim do ano.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) admitiu que existe a expectativa de que outros mercados solicitem esclarecimentos. O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, diz que o impacto nas vendas será grande. Segundo ele, as exportações só subiram no fim do ano, porque o preço do frango no mercado internacional estava elevado à época.

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